DIU e Implanon
Métodos contraceptivos de longa duração, inseridos em consultório.

Muita mulher chega ao consultório já com o nome de um método na ponta da língua, porque uma amiga usa, porque viu em algum lugar, ou porque a pílula nunca se encaixou na rotina.
Esse ponto de partida é válido. Só que ele é o começo da conversa, não o fim.
Idade, histórico de saúde, padrão de sangramento, intenção de engravidar em algum momento, tolerância a hormônio e até o quanto você quer lembrar do assunto no dia a dia mudam qual método faz sentido. É isso que a consulta organiza.
O que muda em um método de longa duração
DIU e implante pertencem ao mesmo grupo: são colocados uma vez e seguem funcionando por anos, sem depender de você lembrar todo dia.
Essa é a diferença prática mais relevante em relação à pílula. Não existe esquecimento, não existe horário, não existe a dúvida sobre o que fazer quando você perdeu um comprimido.
São métodos reversíveis. Podem ser retirados quando você quiser, e não só quando o prazo acabar.
Nenhum deles protege contra infecções sexualmente transmissíveis. Isso continua sendo assunto do preservativo, independentemente do método que você usa.
DIU hormonal

É um dispositivo pequeno, colocado dentro do útero, que libera hormônio de forma contínua e principalmente local, em dose baixa.
Além do efeito contraceptivo, ele costuma alterar o padrão menstrual. Boa parte das mulheres percebe redução do fluxo e das cólicas ao longo dos meses, e uma parte para de menstruar. Isso não é sinal de problema, e é uma das razões pelas quais o método também é usado em quadros de sangramento aumentado e cólica intensa.
Os primeiros meses costumam ter escapes irregulares, enquanto o corpo se adapta. Saber disso antes evita a retirada precoce de um método que ainda estava se ajustando.
Existe mais de um modelo disponível, com diferenças de tamanho, dose e tempo de uso. Qual deles faz sentido para você é definido na consulta.

Implanon
O método mais eficaz do mundo hoje. Inserido sob a pele do braço, libera hormônios de forma contínua por 3 anos, garantindo proteção total e muitas vezes a ausência de menstruação.
DIU de cobre
DIU de cobre
Também é colocado dentro do útero, e a diferença central é que ele não tem hormônio nenhum.
É o caminho para quem tem contraindicação a hormônio, para quem já teve efeitos que não tolerou, e para quem simplesmente prefere não usar.
Como ele não interfere no ciclo, a menstruação continua acontecendo normalmente. Em parte das mulheres, o fluxo e as cólicas aumentam nos primeiros meses. Esse é o efeito que mais leva à retirada, e por isso ele entra na conversa antes da escolha, não depois.
Existem também modelos com cobre e prata, com características próprias. A diferença entre eles é avaliada caso a caso.
Implanon, o implante contraceptivo
É um bastão flexível e fino, colocado sob a pele do braço, que libera hormônio de forma contínua.
A aplicação é feita no consultório, com anestesia local, e leva poucos minutos. Fica imperceptível por fora, e você consegue senti lo ao toque.
O efeito mais comum é a mudança no padrão de sangramento. Algumas mulheres param de menstruar, outras passam a ter escapes irregulares ao longo do uso. Esse é o ponto que mais pesa na decisão, e ele precisa estar claro desde o começo.
É uma alternativa relevante para quem não quer ou não pode fazer um procedimento dentro do útero, e para quem prefere não depender de nada diário.
A retirada também é feita em consultório, quando você decidir ou quando o prazo do dispositivo terminar.
O que decide entre um e outro
A escolha não é por qual método é mais moderno, e nem por qual é mais usado.
Pesa o seu histórico de saúde, incluindo condições que contraindicam hormônio. Pesa como é o seu ciclo hoje, porque quem já sangra muito e quem já tem cólica forte reage de formas diferentes a cada método. Pesa se existe intenção de engravidar em um horizonte próximo. Pesa se você tolera um período de sangramento irregular durante a adaptação. E pesa o que você já tentou antes e por que não deu certo.
Em algumas situações o exame ginecológico ou um ultrassom muda a conduta, por exemplo quando existe um mioma ou uma alteração na cavidade uterina que interfere na colocação do DIU.
Nenhum método é infalível, e nenhum é adequado para todas. O objetivo da consulta é chegar naquele que você vai conseguir manter.
Como é a colocação
Os dois são feitos no consultório, sem internação, e você vai embora no mesmo dia.
DIU. A colocação leva poucos minutos. A maior parte das mulheres sente cólica durante e nas horas seguintes, em intensidade parecida com a de uma cólica menstrual mais forte. Existem orientações e medidas para reduzir esse desconforto, combinadas antes. Depois, é feito um controle para confirmar o posicionamento.
Implanon. A aplicação é feita com anestesia local no braço. O local fica com um curativo compressivo nas primeiras horas e pode apresentar hematoma por alguns dias.
Nos dois casos você recebe orientações por escrito sobre o que esperar, o que é normal e em que situações procurar atendimento.
A conversa antes da inserção
Contracepção é decisão clínica, e não escolha de catálogo.
A consulta inclui história clínica completa, incluindo doenças, medicações em uso, histórico de trombose, enxaqueca com aura e amamentação, porque esses pontos mudam o que pode e o que não pode ser usado. Inclui exame ginecológico e, quando necessário, exames complementares.
Também inclui a parte que costuma ser pulada: o que esperar nos primeiros meses. Grande parte das retiradas precoces acontece porque ninguém avisou que o escape irregular do começo era esperado.
Se em algum momento o método escolhido não estiver funcionando para você, a conduta é reavaliar, e não insistir.